Política ao Vivo. Siga a gente no Instagram: @politicaaovivo

Foto: Divulgação
A criação de comunidades digitais engajadas é fundamental para o sucesso da comunicação digital da esquerda. Comunidades engajadas são mais do que meros grupos de seguidores; são espaços de debate, de troca de experiências, de apoio mútuo e de ação coletiva.
Em seu trabalho seminal, Howard Rheingold (2000) explora o fenômeno das comunidades virtuais, que ele define como agregações sociais que emergem da rede quando um número suficiente de pessoas participa de discussões públicas por tempo suficiente, com sentimento humano suficiente, para formar redes de relações pessoais no ciberespaço. Ele argumenta que essas comunidades oferecem um novo espaço para interação social, onde as pessoas podem se conectar umas com as outras além das fronteiras geográficas e temporais.
A moderação é um elemento-chave na construção de comunidades engajadas. É preciso definir regras claras de convivência, combater o discurso de ódio e a desinformação, mediar conflitos e garantir um ambiente seguro e acolhedor para todos os participantes. A obra de Amy Bruckman (2002) sobre community moderation oferece orientações práticas para a moderação de comunidades online.
Em “Cyberspace Is Not Disneyland”, Amy Bruckman (2002) discute a importância do apoio da comunidade em ambientes virtuais, especialmente no que diz respeito à aprendizagem colaborativa. Ela explora como as normas da comunidade são estabelecidas, quem deve aplicá-las e quais ações devem ser tomadas quando o comportamento de um indivíduo é considerado inaceitável.
Bruckman examina as diferentes abordagens para lidar com o comportamento desviante, contrastando medidas individuais, como filtragem e silenciamento, com a ação administrativa, como banir ou censurar. Ela enfatiza a natureza construcionista dos ambientes virtuais, onde os membros participam ativamente na moldagem e remodelação da comunidade.
A dinamização é outro elemento fundamental. É preciso criar atividades regulares, como debates, enquetes, desafios, quizzes, lives e outras iniciativas que estimulem a participação e o engajamento. É importante também reconhecer e valorizar a contribuição dos membros da comunidade, dando-lhes voz e espaço para compartilhar suas ideias e experiências.
A criação de cultura participativa é o objetivo final. É preciso fomentar um ambiente onde os membros da comunidade se sintam à vontade para propor ideias, criar conteúdo, organizar ações e tomar decisões em conjunto.
Além disso, é importante utilizar ferramentas e plataformas que facilitem a interação e a colaboração entre os membros da comunidade, como fóruns, grupos de discussão, plataformas de edição colaborativa e aplicativos de mensagens. É fundamental também promover encontros presenciais, offline, para fortalecer os laços e a identidade coletiva.
Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em campanhas eleitorais.



