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Na entrevista concedida hoje à Rádio Sociedade, o ex-prefeito de Salvador e presidente estadual de um dos maiores partidos do país demonstrou mais uma vez que ainda não compreendeu o recado que as urnas lhe deram em 2022 — ou talvez esteja apenas se recusando a aceitar.
Ao falar que faz “oposição no gabinete”, que está “24 horas à disposição” para apontar os erros do governador, não responde ao essencial: quantos prefeitos ainda estão com ele? Porque a conta vem caindo. E o que se vê é uma debandada generalizada de lideranças que, um dia, estiveram sob sua influência. Basta olhar para os prefeitos Júnior Marabá (Luiz Eduardo Magalhães) e Zé Cocá (Jequié), ou para seu próprio sobrinho, que tem caminhado em outra direção — a direção do trabalho.
Chama o governador de “puxa-saco” por abrir as portas do governo para os prefeitos. Mas o que o povo quer não é vaidade, é serviço prestado. O governador não se esconde atrás de gabinete, nem de likes, nem de frases de efeito. Ele governa. Anda pelo interior, escuta, entrega, se compromete. Não se faz de menino de recado.
É curioso ver quem perdeu a eleição questionando quem está no governo. Mais curioso ainda é ver alguém criticar a postura municipalista do governador, ao mesmo tempo em que afirma que todo prefeito que for chamado deve ir. Ué? O governador está errado em chamar, mas o prefeito está certo em aceitar?
Pedir “senso crítico” ao povo e, na mesma fala, desrespeitar a autoridade de um governador eleito com mais de 4 milhões de votos não é crítica — é birra travestida de discurso político.
E a verdade incomoda: o povo está gostando do que está vendo. Prefeitos que vieram de um modelo centralizador, vertical, se surpreendem com a simplicidade e horizontalidade de Jerônimo. Um governador que senta à mesa com quem precisa, que olha no olho e cuida de gente.
O que incomoda não é a ação de Jerônimo, é o contraste. Porque enquanto um governa, o outro ainda se porta como se fosse o escolhido por decreto. Como se liderança fosse imposta, e não construída. Mas, se o povo quisesse essa liderança, hoje ele estaria sentado no Palácio de Ondina.
Fazer política sem politicagem? Estamos de acordo. Então que comecem por parar de performar desgraça e começar a reconhecer o que está dando certo. Afinal, não é puxar saco reconhecer que a Bahia está em boas mãos — é só ter a humildade de admitir que, dessa vez, foi o povo quem venceu.
Marília Zotareli é médica pediatra, especialista em saúde pública e mãe neurodivergente. Com experiência na gestão hospitalar e na formulação de políticas de cuidado, esta coluna trará reflexões sobre desafios e soluções para um sistema de gestão pública mais acessível e eficiente.