Política ao Vivo. Siga a gente no Instagram: @politicaaovivo

Documentos anexados a uma ação em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia apontam que a Prefeitura de Salvador destinou recursos públicos para a contratação de publicações em perfis de Instagram que, durante o período eleitoral, passaram a divulgar conteúdos de ataque ao governador Jerônimo Rodrigues e a integrantes do PT, além de publicações favoráveis ao ex-prefeito ACM Neto. Segundo os documentos, a Secretaria Municipal de Comunicação autorizou R$ 46.444,45 para oito postagens em perfis na rede social.
Os perfis foram identificados como o Fofoca Salvador, Kikiki Salvadorsv, Fofoquei Brasil Oficial e o Comedia Baiana.
As despesas aparecem identificadas como “Prefeitura em Ação Jun 2026” e “Publicidade de Utilidade Pública”. Os autos apresentam datas, links e comprovantes das publicações contratadas. O contrato firmado entre a Prefeitura e a agência responsável pela publicidade tem valor estimado em R$ 120 milhões. A denúncia apresentada à Justiça questiona a relação entre as campanhas institucionais pagas pelo município e a atuação posterior dos mesmos perfis no ambiente eleitoral.
Um dos perfis citados, kikikisalvadorsv, atualmente identificado como kikikisalvador, publicou ataques contra Jerônimo Rodrigues e Rui Costa. Em uma das postagens, o governador foi chamado de “covarde”. Em outra, a página afirmou que prefeitos estariam deixando Jerônimo para apoiar ACM Neto. O perfil também retomou o episódio envolvendo a compra de respiradores para criticar Rui Costa. Uma dessas publicações aparece com uma curtida atribuída ao prefeito de Salvador, Bruno Reis. Já o fofocasalvador divulgou conteúdos favoráveis a ACM Neto e publicações que responsabilizavam o governo estadual por problemas relacionados à segurança pública.
Outro perfil mencionado no processo, o fofoqueibrasiloficial, publicou conteúdo destacando que a cantora Ivete Sangalo segue ACM Neto no Instagram, mas não acompanha Jerônimo. A página também divulgou uma música de deboche contra o governador, apresentada como “jingle do Jerozinho”, que, segundo os documentos, alcançou mais de 16 mil curtidas e 12,8 mil compartilhamentos. A ação sustenta que a sequência de conteúdos pode indicar uma articulação envolvendo recursos públicos, empresas de publicidade, intermediários e perfis de entretenimento e notícias populares, e pede que a Justiça Eleitoral examine a relação entre as contratações e o conteúdo político divulgado pelas páginas.



